terça-feira, 15 de setembro de 2020

CLIENTE BIS PONTO CRUZ

Hoje é o Dia Mundial do Cliente!
Nesta data especial partilho o site de um dos meus clientes que é artesão e eu muito admiro http://www.bispontocruz.pt/ . Quem julga que bordar é para mulheres, está a viver numa profunda ignorância, é para homens e dos bons, ele é bombeiro, é militar da marinha, é excelente chefe de família e é o artesão da empresa BIS PONTO CRUZ. É admirável a sua agilidade, o homem não pára! 
É corajoso, surge nos media divulgando a arte de ponto cruz, revolucionou o país e está a fazer história em Portugal. 
Nunca eu em 40 anos de vida liguei a TV sendo surpreendida com a divulgação da arte de Ponto Cruz e ele lá vai surgindo matando preconceitos! Fala com brilho no olhar e revela muito amor nos seus bordados. 
É o orgulho português masculino na arte de bordar, surpreende constantemente com a sua criatividade e surgem trabalhos que não encontra em mais lado nenhum. Eu recomendo, sugiro que façam muitas encomendas.
Entrevistei o Bruno Madeira para conhecer a pessoa que existe por detrás dos seus trabalhos fantásticos em que o sentido de humor inteligente é uma constante.
Tem 38 anos. Nasceu em Coimbra, Portugal, a cidade dos estudantes, mas porque nela existe a maternidade Dr. Bissaya Barreto, mais próxima de onde morava em Oliveira do Hospital. Apesar de residir em Santarém trabalha em Almada.


Quando e como aprendeu a bordar ponto de cruz? Tornou-se um artesão certificado, o que o levou a tomar a decisão de ter também esta profissão?

Eu aprendi a bordar com uns 13 / 14 anos de idade, na escola. No meu 7º ano de escolaridade, onde existia uma disciplina que se chamava EVT (Educação Visual e Tecnológica), eu tinha que escolher uma de duas vertentes, trabalhos manuais de serralharia ou a parte de lavores de casa. Eu fui para onde estavam as meninas e descobri o ponto de cruz...
A decisão de me tornar um artesão certificado prendeu-se com o facto de eu querer nos meus trabalhos ser ainda mais perfecionista, pois sabia que era um certificado demorado a nível de etapas que tinha que passar e muito exigente a nível de provas práticas. Mas também para mostrar às outras pessoas que estava a trabalhar muito a sério neste projecto e para demonstrar que eu era tão ou melhor que as outras artesãs.

VAI PRÓ CESTO DA GÁVEA
Fotografia: Na marinha


Gosto dos seus bordados cheios de humor inteligente! O que o levou a ter a coragem de os divulgar nos media?

Isso já vai com o querer inovar, desbravando áreas que até hoje eram muito pouco feitas. E nada melhor que entrar por uma área que cai sempre bem quando é feita com inteligência, o humor. Eu peguei na língua portuguesa, que é rica em palavras com dois sentidos e apliquei-lhe um pouco de humor "negro sarcástico". E nada melhor para divulgar essas minhas criações, que aproveitar os medias por onde tenho passado. Assim mostro algo novo feito por uma pessoa não "rotulada" para tal.


Sente que em Portugal o Ponto de Cruz é valorizado? O que gostaria que mudasse?

Não, em Portugal nada que nós façamos é valorizado, desde o artesanato até à nossa agricultura, passando pelas nossas empresas de inovação. Em Portugal só é valorizado depois de algum estrangeiro dizer que este ou aquele produto português é o melhor do mundo. Gostaria que as pessoas valorizassem o que é nosso, no geral, pois só assim nos ajudávamos mutuamente a sair de muitas crises financeiras e de autoajuda.

É admirador de algum(a) artesã(o) nesta arte?
Sim, eu quando comecei esta "aventura" vi e ainda hoje vejo muitos videos de Wagner Reis, um brasileiro, atualmente já não concordo com algumas coisas que ele ensina mas isso é porque eu comecei a criar/desenvolver muitas técnicas que melhor me satisfazem nos meus desafios. Mas o objectivo é perfeitamente igual para os dois, fazer ponto cruz da forma mais perfeita possível.


Alguma vez conheceu um homem com o seu talento que também borde ponto cruz?

Sim já conheci alguns, mas têm medo de dizer que fazem com medo das represálias da sociedade. 

Alguém em algum momento foi desagradável para si satirizando a sua masculinidade porque borda?
Sim, inicialmente fui um pouco abordado por algumas pessoas que punham em causa a minha masculinidade. Mas eu felizmente como estava tão à vontade com tudo nem ligava ou então ainda os picava mais e eles acabavam por desistir. Também chegou a acontecer telefonarem-me, quererem falar com a senhora que faz ponto cruz, eu dizer que não era uma senhora mas sim eu e desligavam do outro lado.

Já ensinou a bordar Ponto de Cruz a alguém?
Sim, à minha filha de 8 anos que começou a bordar quase perfeito com 6 anos.

Fotografia: No lar em família

Tem algum conselho para quem queira começar a bordar?
Sim, que não pensem duas vezes, que estejam dispostos a trazer produtos novos e com o seu estilo próprio.

Quais são as suas linhas preferidas?
Depois de experimentar de tudo o que existia no mercado português e estrangeiro, eu actualmente só trabalho com as linhas da DMC, pela boa relação qualidade preço e por apresentarem com regularidade novos produtos que nos obrigam a criar novas peças de designer.

Fotografia: No quartel de bombeiros

Tanto está com uma mangueira na mão, ou com uma agulha ou mesmo de volta de um nó de marinheiro, tem 3 profissões distintas, bombeiro, artesão e trabalha na marinha, mas se tivesse que escolher apenas uma profissão qual escolheria?
Escolhia a vida que tenho, pois são profissões que eu adoro e me dão gosto realizar. Não existem vidas perfeitas mas eu tenho uma vida que amo, uma família que me apoia nas minhas profissões e me dá todo o apoio mesmo com sacrifício deles. É claro que gostava de fazer vida do ponto cruz e dedicar-me de corpo e alma, mas nem tudo pode ser perfeito. Lutar todos os dias pelos meus objectivos é uma maneira divertida de encarar a vida.

Quer deixar uma mensagem a todos os artesãos que estão a ler esta entrevista?
Antes de mais dizer-lhes que não temam o que os outros dizem de menos bom sobre os trabalhos que criam, pois muitos é dor de cotovelo por não saberem fazer igual ou melhor que eles. Que usem as críticas como incentivos, e que sejam bons ouvintes das mesmas, as críticas muito construtivas por mais que nos custe ouvi-las. Mas acima de tudo não desistam dos seus sonhos nem das suas ideias.

Ele arranca sorrisos quando é entrevistado!
Entrevistado na TVI por Manuel Luís Goucha

Entrevistado na SIC por João Baião e Andreia Rodrigues

Entrevistado na RTP1 por Jorge Gabriel e Sónia Araújo

Entrevistado na SIC por José Figueiras e Ana Marques

Entrevistado na SIC por Cristina Ferreira

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